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Produtoras de ferro-gusa criam fundo para projetos de reflorestamento
O Liberal 09.03.2007

As usinas siderúrgicas produtoras de ferro-gusa do pólo Carajás, que compreende os Estados do Pará e Maranhão, criaram um fundo para financiamento de projetos de reflorestamento destinados a fornecer madeira para a produção de carvão vegetal. O fundo, que tem como custodiante o Banco Itaú e como gestor a empresa carioca Oliveira Trust, já nasce com um aporte de recursos de R$ 5,5 milhões, integralizado pelas onze guseiras - de um total de 15 ligadas à Associação das Siderúrgicas de Carajás (Asica) - que se associaram para a formação. Na primeira assembléia geral do grupo, realizada no dia 27 de fevereiro, cada uma das usinas aportou R$ 500 mil. Desde o dia 1º de março, o fundo vem sendo engordado com uma cota de US$ 3 por tonelada de ferro-gusa exportado pelas cotistas.

Com a criação do Fundo Florestal Carajás (FFC), as guseiras querem demonstrar para a sociedade que estão preocupadas com a sustentabilidade ambiental da indústria carvoeira que abastece os altos-fornos das usinas. O momento, aliás, é delicado para o setor. Três das siderúrgicas do pólo de Marabá - Cosipar, Usimar e Ibérica - estão paralisadas por conta da Operação Quaresma, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em curso no município. A operação foi deflagrada para conter o desmatamento de áreas de floresta nativa para produção de carvão vegetal destinado às guseiras.

Das empresas participantes do FFC, cinco são paraenses e estão em Marabá. São a Cosipar, Ibérica, Sidepar, Simara e Terra Norte. 'O FCC é um fundo multimercado registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e cuja retirada de recursos só poderá ser feita para financiamento de projetos elegíveis, definidos pelo regulamento', explica Roberto Laurindo, executivo da área de Produtos do BGN, banco responsável pela formatação do fundo.

'O fundo vai estimular o reflorestamento porque as usinas participantes estão fazendo uma espécie de ‘poupança forçada' e, é lógico, vão querer usar os recursos disponíveis para aplicação em novos projetos', explica o consultor do FFC Nacib Hetti. O consultor explica que as próprias usinas serão responsáveis pela execução dos projetos de reflorestamento. Para serem considerados elegíveis, eles precisam prever o plantio de, no mínimo, 833 mudas de espécies florestais por hectare e devem possuir área maior do que 500 hectares .

Antes de receberem os recursos, os projetos serão vistoriados por empresas de engenharia florestal contratadas pelo fundo para comprovar o plantio. Só depois de emitido o laudo técnico é que as guseiras poderão fazer o resgate dos recursos, em um valor de US$ 700 por hectare plantado. 'Os recursos também só atendem projetos novos. Áreas já plantas não poderão ser beneficiadas', explica Hetti, acrescentando que a expectativa é de que até 2015 o setor consiga reflorestar pelo menos 400 mil hectares com espécies nativas e exóticas, o que garantiria o atendimento integral da demanda de carvão vegetal nos altos-fornos das empresas do Pólo Carajás.

Assista aqui a reportagem de O Liberal

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