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Aciaria vai produzir 300 mil toneladas por ano em Marabá
Correio do Tocantins, 22.10.2007

Uma das maiores empresas privadas instaladas em Marabá passa a ser a Sinobras (Siderúrgica Norte Brasil S.A.), a antiga Simara (Siderúrgica Marabá), que vai produzir 300 mil toneladas de aço por ano no Distrito Industrial de Marabá a partir de 2008. Apenas para implantar a indústria, o Grupo Aço Cearense, de Fortaleza-CE, está investindo 250 milhões de dólares, um volume de dinheiro impensável para a grande maioria das empresas da região, com exceção da CVRD.

O controle acionário da Simara foi assumido pelo Grupo Aço Cearense em novembro do ano passado. Com 28 anos de existência no mercado, a empresa tornou-se o maior importador de aço do Brasil, maior importador privado do Estado do Ceará e é um dos maiores recolhedores de ICMS e impostos federais do Estado do Ceará. "Quando estivermos produzindo aço, também seremos um dos maiores recolhedores de impostos no Pará", explica Ian Correa.

Nesta quinta-feira, 18, o vice-presidente da Sinobras, Ian Correa, apresentou à imprensa local o projeto de implantação da aciaria, explicando que o empreendimento, composto de alto-fornos, aciaria, laminação, trefilaria e fazendas de reflorestamento, produzirá para o mercado interno 300 mil toneladas por ano de aço para construção civil, fio máquina, arames e seus derivados. "Pretendemos começar a funcionar ainda no primeiro semestre de 2008", prevê.

Para se ter uma idéia da dimensão do projeto, a instalação de uma indústria siderúrgica comum no DIM custa em torno de 60 milhões de reais, quase dez vezes menos que o projeto da Sinobras. Outro número impressionante é a geração de emprego. Serão 1.050 novos postos de trabalho diretos e 10.500 indiretos, contra uma média de 350 empregos diretos de uma siderúrgica comum.

Sobre a mudança de razão social, Corrêa disse ao CORREIO DO TOCANTINS que esta foi necessária como forma de adoção de novos valores que estão sendo implementados: valorização do trabalhador, meio ambiente e comunidade. "Mas respeitamos a cultura local e pretendemos ajudar a comunidade de Marabá em seu desenvolvimento", frisou.

A falta de mão-de-obra qualificada em Marabá e região leva a Sinobras a investir na formação e qualificação de aproximadamente 600 profissionais, devido à implantação de novos processos para a operação. A pretensão é celebrar convênios com instituições de ensino privadas e governamentais, além de realizar treinamentos em parceria com fornecedores e com outras empresas no Brasil e no exterior.

Ian destaca que para implantar e manter funcionando a Sinobras algumas novas empresas que fornecem matéria-prima ou que farão manutenção de seus equipamentos estão montando filial em Marabá. "Surgirão ainda muitas outras empresas que trabalharão com os produtos acabados produzidos em nossa usina", revela. (Ulisses Pompeu) Empresa possui onze fazendas para promover reflorestamento A Sinobras não pretende aumentar a produção de ferro-gusa para atender o mercado externo. Os alto-fornos vão voltar a funcionar com a finalidade específica de produzir matéria-prima para a aciaria. Para isso, vai precisar de carvão vegetal, cuja origem na região está sendo bastante contestada por autoridades ambientais e de trabalho.

Para promover crescimento de forma sustentável, Ian Correa explica que a Sinobras - Siderúrgica Norte Brasil S.A, está investindo pesado em reflorestamento para chegar à auto-suficiência do abastecimento de carvão para os seus alto-fornos. Até o final deste ano, a empresa pretende plantar mais 3 mil hectares totalizando mais de 10.500 hectares reflorestados, dos 20 mil existentes em suas 11 fazendas próprias.

O projeto de reflorestamento da Sinobras, segundo Ian, gera atualmente 400 empregos diretos, garantindo a oportunidade de trabalho ao homem do campo e suas famílias. Diante da necessidade de adquirir carvão no mercado local, Ian revela que a Sinobras conta com um setor interno específico para fiscalizar e adequar fornecedores de carvão para atender as legislações fiscais, trabalhistas e ambientais. "Caso nossa demanda por carvão não seja atendida por nossos fornecedores, não hesitaremos em desligar nossos alto-fornos, o que já ocorreu em três ocasiões", revela.

Em relação à ameaça de suspensão de minério de ferro por parte da Companhia Vale do Rio Doce à Sinobras, que ainda não cessaram, Ian garante que a empresa atende a todas as exigências contratuais que foram mantidas com a CVRD. Meio ambiente Para minimizar os impactos ambientais da aciaria, a Sinobras constrói paralelamente à aciaria, uma grande estrutura para limpar gases que serão produzidos no processo de industrialização. Vai destinar resíduos gerados nos processos produtivos para utilização em outras áreas como: construção civil, agricultura e infra-estrutura de estradas. "Estamos preparando uma indústria dentro daquilo que a legislação preconiza, mas em alguns casos estamos indo além, adquirindo equipamentos de última geração fabricados na Alemanha para minimizar impactos ao meio ambiente", ressalta Ian Correa. (U.P) Aciaria será a rainha da sucata da região A Sinobras pretende utilizar sucatas de ferro e de aço disponíveis na região em seu processo produtivo de aço. O aproveitamento deste tipo de material, segundo Ian Correa, vice-presidente da empresa, além de ser uma prática ambientalmente correta, por se tratar de reciclagem, será também mais uma fonte econômica que gerará muitos empregos no mercado regional.

A matéria prima da aciaria será composta de 30% de gusa-líquido e 70% de sucatas. Ian explica que foi feita uma pesquisa de mercado que constatou que a produção de sucata na região sul/sudeste do Pará é expressiva, mas reconhece que não será suficiente para atender a demanda da empresa. "Então, vamos comprar sucata em outros estados das regiões Norte e Nordeste", justifica.

O vice-presidente da Sinobras avisa que a empresa não vai comprar sucata de pessoas físicas, individualmente, mas de empresas ou entidades, devendo circular diariamente cerca de 250 caminhões com o produto pelo pátio da siderúrgica. "Todos os produtos fabricados a partir do aço pela Sinobras, em Marabá, vão abastecer apenas o comércio nacional", explica. Indagado por este jornal se a produção de ferro para a construção civil poderá refletir em um barateamento desse produto para o consumidor local, Corrêa avaliou que isso deverá acontecer seguramente, uma vez que outros custos, como transporte, deverão ser bem menores, com uma indústria a poucos quilômetros dos revendedores.

Ele explica ainda que em relação à fonte de energia para a aciaria, o grupo Cearense precisou instalar uma subestação própria de 50 MVA. Para se ter uma idéia do alto consumo de energia elétrica daquela indústria, Marabá e região consome 42 MVA, menor que a potência a ser usada pela aciaria. "Tivemos de investir para ampliar a subestação de Marabá para 100 MVA, o que vai tornar a qualidade da energia desta cidade bem melhor em relação a que temos agora", garante. (U.P).

 

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