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Sindiferpa promove seminário para discutir novas tecnologias de produção de carvão vegetal

Preocupado em minimizar impactos ambientais da cadeia produtiva do ferro-gusa, o Sindicato das Indústrias de Ferro Gusa do Estado do Pará (Sindiferpa) reuniu, no último dia 4 de dezembro, em Belém, alguns dos mais renomados pesquisadores do país e da França. A reunião ocorreu durante a realização do seminário “Processos de produção de carvão vegetal com aplicação na indústria do aço”, realizado no Hotel Crowne Plaza. Na ocasião, os pesquisadores apresentaram aos representantes das 17 siderúrgicas dos estados do Pará e Maranhão as mais modernas tecnologias de produção de carvão vegetal.

De acordo com o presidente do Sindiferpa, Afonso Albuquerque, o objetivo do evento foi alcançado. “Esse evento cumpriu o seu papel porque possibilitou que o setor siderúrgico dos estados do Pará e Maranhão tomasse conhecimento das mais avançadas tecnologias produtivas de carvão vegetal. Esse é um momento inicial de uma série de trabalhos de cooperação técnica que desenvolveremos juntos, pois é importante mantermos o contato com todos para que possamos colocar em prática essas tecnologias que aqui foram apresentadas”, destacou o presidente do sindicato. “Estamos trabalhando muito para alcançarmos a sustentabilidade do setor. E uma das formas de atingir esse resultado é desenvolver tecnologias que melhorem o aproveitamento dos recursos naturais e minimizem os impactos ambientais”, acrescentou.

Afonso Albuquerque ressaltou, na ocasião do evento, que o setor siderúrgico paraense vem enfrentando algumas dificuldades por conta de problemas que o estado ainda precisa resolver, como a regularização fundiária, a implementação do zoneamento ecológico-econômico e o aprimoramento da legislação de meio ambiente, sobretudo no que diz respeito à reserva legal. “Estamos fazendo a nossa parte, buscando de todas as formas possíveis a sustentabilidade do setor. Mas é preciso que o governo faça a parte dele e desenvolva ações que possibilitem a equação de todos esses problemas”, disse. “Acreditamos que esse entendimento entre o setor e o governo já está começando a acontecer, pois temos conseguido ampliar nosso diálogo com a SEMA (Secretaria Estadual de Meio Ambiente) e temos certeza que caminhamos para um novo momento no setor, aqui no Pará”, complementou.

Para atender às necessidades do parque industrial de ferro-gusa paraense, constituído por dez indústrias instaladas em Marabá, a consultora florestal do Sindiferpa, Nilma Bragança, estima que seria necessária uma área de floresta plantada de mais de 200 mil hectares. Mas as siderúrgicas de Marabá já possuem uma área plantada de mais de 60 mil hectares, dos quais cerca de 40 mil estão no Estado do Tocantins, onde o limite da reserva legal se situa, na quase totalidade, entre 20% e 35%, enquanto no Pará e em toda a Amazônia esse limite é de 80%.

Segundo Afonso Albuquerque teria que haver uma flexibilização no percentual de reserva legal do Pará (80%) que torna inviável qualquer atividade econômica. Para Albuquerque a solução é a aprovação da proposta de reflorestamento nas áreas já alteradas no Pará, com 50% do plantio de espécies nativas e os restantes 50% de espécies comerciais, que seriam utilizadas no fabrico de carvão.

Em função de sua localização tropical e da disponibilidade de grandes áreas para plantações, o Brasil é o líder mundial na produção de carvão vegetal e possui um grande potencial para aumentar ainda mais a sua produção de biomassa para fins energéticos. Entretanto, o pouco conteúdo tecnológico dos processos hoje empregados na carbonização e o nível elevado requerido para os investimentos iniciais constituem obstáculos para a materialização dessa potencialidade.

Segundo informações dos pesquisadores presentes no seminário, com as tecnologias atuais cerca de 70% (em massa) da madeira é transformado em gases poluentes e liberado na atmosfera sem nenhum tratamento. “Por esse motivo, o desenvolvimento de tecnologias mais eficientes, do ponto de vista ambiental e do aproveitamento energético, se tornam necessárias. E é  isso que estamos apresentando, aqui, nesse seminário”, disse Manoel Nogueira, que é pesquisador da Universidade Federal do Pará (UFPA) e um dos organizadores do evento. “Mas também concordo com Afonso Albuquerque que esse é só o primeiro passo de uma série de outros que precisamos dar, para implementar essas novas tecnologias e, assim, minimizar os impactos ambientais da produção de carvão vegetal”, complementou o professor.

O pesquisador francês Patrick Rousset, do Centro de Cooperação Internacional de Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (Cirad), da França, destacou a importância do seminário para a construção de um novo momento no setor siderúrgico. “Estou há quatro anos no Brasil e essa é a primeira vez que vejo um setor (o siderúrgico) preocupado com essa questão ambiental e promovendo um encontro de pesquisadores que apontem alternativas tecnológicas para a produção de carvão vegetal”, disse Patrick.

O seminário “Processos de produção de carvão vegetal com aplicação na indústria do aço”  foi uma realização do Sindicato das Indústrias de Ferro-Gusa do Estado do Pará (Sindiferpa), em parceria com o Sindicato das Indústrias de Ferro-Gusa do Maranhão (Sifema), o Centro de Cooperação Internacional de Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (Cirad), da França, e a Universidade Federal do Pará (UFPA). Estiveram presentes em Belém 13 pesquisadores de 13 instituições de pesquisas do Brasil e da França.

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