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Fiepa cobra a liberação dos planos de manejo
O Liberal, 06.04.2008

Setor industrial alerta para crise na região sudeste do Estado

O problema da falta de agilidade no processo de liberação de projetos de manejo florestal ameaça paralisar duas atividades que são fundamentais para a economia da região sudeste do Estado. Desde o início do ano, a crise que atinge as indústrias siderúrgicas do Distrito Industrial de Marabá já reduziu a produção dos fornos no município, o que pode gerar uma reação em cadeia de desemprego e redução das atividades comerciais no município, já que o setor garante renda para mais de 8 mil famílias da região.

Empresários do setor madeiro também reclamam que aguardam liberação de cerca de 900 projetos de manejo florestal. Além disso, avaliam que a saída seria poder utilizar áreas já degradadas com fins econômicos, principalmente em vários municípios onde a base econômica está nesses setores.

A Fiepa (Federação das Indústrias do Estado do Pará) pretende reunir ainda este mês representantes dos dois setores e prefeitos de municípios de base florestal para discutir uma ação em conjunto para enfrentar o problema.

'A Fiepa entende que existe um problema comum e é preciso reparar um dano que ocorreu no passado. Mas, hoje, a necessidade de sustentabilidade é uma realidade do mercado e uma meta que os dois setores buscam atingir. Mas isso esbarra na burocracia, que impede que as áreas já degradadas sejam utilizadas de forma viável para a produção', avalia José Conrado Santos, presidente da Fiepa.

Para Conrado, é necessária uma urgente sensibilização do governo do Estado no sentido de permitir que as indústrias possam garantir sua produção de forma sustentável. 'Existe um interesse desses setores, mas falta um marco regulatório, uma flexibilização das leis. Quem está legal e quer replantar para garantir sua produção encontra barreiras. Isso gerou uma crise que se estende desde 2007 no setor florestal e agora chega aos guseiros, que também são importantes atores na economia do sudeste do Estado', afirma Conrado.

Auto-Suficiência

Em reunião na Fiepa, o presidente do Sindiferpa (Sindicato das Indústrias de Ferro-Gusa do Estado do Pará), Afonso Albuquerque, destacou que as empresas definiram como meta reflorestar mais de 200 mil hectares até 2015. Apesar da meta de garantir reflorestamento, empresários reclamam que há lentidão para aprovar os projetos. Além disso, existe o problema de titulação de terras, que impede novas frentes para o plantio de mudas.

O setor também mostrou dados que indicam o processo de paralisação das atividades, que geram atualmente mais de 8,2 mil empregos diretos. Segundo dados do Sindiferpa, a produção de ferro-gusa despencou. Pelo menos um terço da atividade nos altos fornos foi paralisada por conta da falta de fornecimento de carvão vegetal de origem comprovada, justamente devido à dificuldade em atender a Instrução Normativa 08, emitida pela Secretaria de Estadual de Meio Ambiente (Sema), e demais fatores como o período chuvoso e a falta de estrutura de logística.

Algumas indústrias chegaram a encerrar temporariamente em 100% a produção de ferro-gusa, como é o caso da Sinobrás. 'Existe uma preocupação pela auto-suficiência, e o empresariado vai continuar respeitando essa instrução, até mesmo porque é um desafio nosso. O problema persiste em outras frentes, como a liberação de novas áreas que podem ser usadas para o reflorestamento com viabilidade econômica e a titularidade de terras', explica Albuquerque.

José Conrado destaca que as siderúrgicas são indústrias pioneiras no início do processo de verticalização da extração mineral paraense. O minério de ferro, extraído da Província Mineral de Carajás é fundido com o carvão vegetal e dá origem ao ferro-gusa, uma liga metálica fundamental para a produção do aço e fundidos. 'Sempre se falou muito em verticalização do nosso minério e foi isso que as empresas do Distrito Industrial iniciaram-se desde a década de 1980, com a cadeia de siderurgia e metalurgia. Isso garante mais empregos tanto na extração, que garante maior número de compradores, como da verticalização do processo, que atrai novas fábricas e indústrias para a região', completa José Conrado Santos.

Madereiras

De acordo com dados do Conselho de Meio Ambiente da Fiepa, existem hoje mais de 900 projetos de manejo florestal aguardando liberação da Sema para serem colocados em prática no interior do Pará.

A crise no setor já gerou mais de 15 mil demissões no setor florestal. 'Temos uma área no Pará de 20 milhões de hectares de área degrada, que não possuem valor social, econômico e ambiental. Nossa preocupacão é converter as áreas degradas em áreas produtivas, para que os setores que dependem da floresta possam continuar produzindo e de forma sustentável, criando bases sustentáveis para a produção madeireira', aponta Derecky Martins, secretário-executivo do Coema da Fiepa.

Para o presidente da Fiepa, a questão deverá ser revista com estudos e comprometimento de empresários e governo. 'Resolver esses entraves é um desafio que deve ser enfrentado em conjunto não só pelas empresas, mas com compromisso de agentes ligados ao meio ambiente e à questão fundiária, para que o setor possa continuar produzindo e dentro da lei, conforme vem atuando. O perigo é isso ser travado, o que vai gerar demissão e comprometer a atividade industrial paraense', enfatiza José Conrado Santos.

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