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Gás Natural
Diário de Carajás 04.07.2008
Sindiferpa entrega estudo a Ana Júlia
O presidente do Sindicato das Indústrias de Ferro Gusa do Estado do Pará (Sindiferpa), Afonso Albuquerque, entregou à governadora Ana Júlia Carepa um estudo que propõe a substituição parcial do uso de carvão vegetal por gás natural. A entrega foi feita durante a realização da reunião do Fórum Paraense de Competitividade, no Hangar Centro de Convenções. Também participou da cerimônia, o executivo Gilberto Leite, presidente da Associação Comercial e Industrial de Marabá (Acim).
A governadora agradeceu a realização do estudo e sinalizou que ele está indo ao encontro das intenções do governo do Estado. “Eu queria agradecer esse estudo e dizer que nós já estamos em conversas com o presidente Lula e com o presidente Hugo Chávez (da Venezuela) para estudarmos a implantação de um gasoduto no estado”, disse Ana Júlia, na ocasião.
O estudo é resultado de uma preocupação do setor siderúrgico, representado pelo Sindiferpa, em utilizar tecnologias que minimizem impactos ambientais e que contribuam para a sustentabilidade. E foi a partir daí que, o Sindiferpa solicitou o estudo à Fundação Gorceix.
O pesquisador, engenheiro Paulo von Kruger, coordenou o estudo e destaca que “a racionalização do uso da energia e a proteção ao meio ambiente são os maiores desafios da atualidade e, naturalmente, a indústria siderúrgica está dentro deste contexto”.
Paulo Kruger explica que pelas suas próprias características, o processo de obtenção do ferro é, tanto consumidor intensivo de energia, quanto ambientalmente impactante. E neste contexto, se destaca o alto-forno, responsável pela fabricação de mais de 95% do ferro gusa produzidos no mundo.
Para entender melhor o processo de produção do ferro gusa é preciso saber que o meio energético universalmente empregado no processo do alto-forno é o carbono, seja na forma de coque ou de carvão vegetal.
O coque implica na extração do carvão mineral, seu beneficiamento e a sua coqueificação. Já o carvão vegetal, envolve reflorestamento e carvoejamento. Em ambos os casos, os custos envolvidos são elevados e os impactos ambientais também.
Por esse motivo, não tem sido poucos os esforços do setor siderúrgico, já há algum tempo, no sentido de substituir o redutor calibrado, caro, por energéticos menos nobres, que sejam injetados através das ventaneiras dos altos-fornos e ambientalmente menos impactantes. Destes, os mais comuns são o carvão pulverizado e o gás natural.
Outro detalhe importante é que a injeção de gás natural pelas ventaneiras dos altos fornos substitui o redutor calibrado e fornece grandes quantidades de hidrogênio, que substituem o monóxido de carbono, como gás redutor na cuba do forno. Sendo assim, o uso do gás natural minimiza sobremaneira o impacto ambiental em relação a camada de ozônio, que tem sido bastante atingida pela liberação de monóxido de carbono.
Avelina Castro
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